Delegado de Polícia Federal 2021 — Prova Objetiva (Cebraspe)

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Um agente público foi condenado por ato de improbidade administrativa. Na sentença, determinou-se que o elemento subjetivo do réu, no caso, havia sido culpa grave. Não houve condenação à perda da função pública nem à perda dos direitos políticos. Considerando essa situação hipotética e o disposto na Lei n.º 8.429/1992 e suas alterações, julgue os itens a seguir.

1. É correto afirmar que, nessa situação, a conduta do agente que levou à condenação causou dano ao erário.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Na redação da Lei n.º 8.429/1992 vigente em 2021, somente a modalidade do art. 10 (dano ao erário) admite conduta culposa; as modalidades dos arts. 9.º (enriquecimento ilícito) e 11.º (violação a princípios) exigem dolo, segundo a jurisprudência do STJ. Logo, se o elemento subjetivo reconhecido na condenação foi culpa grave, a tipificação só pode ter sido a do art. 10, cujo núcleo típico é justamente causar dano ao erário.

2. As penas de perda da função pública e de perda dos direitos políticos tivessem sido aplicadas somente podem ser efetivadas após o trânsito em julgado da sentença condenatória.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Nos termos do art. 20, caput, da Lei n.º 8.429/1992, a perda da função pública e a suspensão dos direitos políticos somente se efetivam com o trânsito em julgado da sentença condenatória, não podendo ser executadas de forma antecipada.

3. Eventual decretação de indisponibilidade de bens poderá recair sobre os bens adquiridos pelo referido agente antes da prática do ato ímprobo, devendo-se considerar, ainda, o valor de possível multa civil como sanção autônoma.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Segundo a tese firmada pelo STJ no Tema 701 dos recursos repetitivos (REsp 1.319.515/ES), a indisponibilidade de bens do art. 7.º da Lei n.º 8.429/1992 pode recair sobre bens adquiridos antes ou depois da prática do ato de improbidade, e o cálculo do bloqueio deve considerar também o valor de eventual multa civil, por se tratar de sanção autônoma prevista em lei.

Acerca da responsabilidade civil do Estado, julgue os itens que se seguem.

4. É subjetiva a responsabilidade civil do Estado decorrente de conduta omissiva imprópria, sendo necessária a comprovação da culpa, do dano e do nexo de causalidade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A doutrina distingue a omissão genérica (própria), que gera responsabilidade subjetiva por falha anônima do serviço, da omissão específica (imprópria), em que o Estado tem dever individualizado de agir (posição de garante) e a omissão equivale a uma conduta comissiva. Nesse segundo caso aplica-se a responsabilidade objetiva com base na teoria do risco administrativo do art. 37, §6.º, da CF, dispensando a prova de culpa, conforme entendimento do STF (RE 841.526/RS, Tema 592).

5. Conforme a teoria do risco administrativo, uma empresa estatal dotada de personalidade jurídica de direito privado que exerça atividade econômica responderá objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, resguardado o direito de regresso contra o causador do dano.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A responsabilidade objetiva com base na teoria do risco administrativo (art. 37, §6.º, CF) alcança as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos. Empresas estatais que exploram atividade econômica submetem-se ao regime próprio das empresas privadas (art. 173, §1.º, II, CF), de modo que sua responsabilidade não decorre da teoria do risco administrativo, mas das regras de direito privado.

No que concerne a controle da administração pública, julgue os itens subsequentes.

6. Apenas a Constituição Federal de 1988 pode prever modalidades de controle externo.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Além da própria Constituição (arts. 70 a 75), leis infraconstitucionais, constituições estaduais e leis orgânicas municipais também instituem e disciplinam modalidades de controle externo, a exemplo das leis orgânicas dos Tribunais de Contas e da Lei da Ação Popular (Lei n.º 4.717/1965).

7. O Poder Judiciário pode revogar atos praticados pelo Poder Executivo eivados de ilegalidade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O Poder Judiciário exerce controle de legalidade sobre os atos da Administração, podendo apenas anulá-los quando ilegais; a revogação pressupõe juízo de conveniência e oportunidade (mérito administrativo), reservado exclusivamente à própria Administração que praticou o ato.

8. A reclamação para anular ato administrativo que confronte súmula vinculante é uma modalidade de controle externo da atividade administrativa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A reclamação constitucional prevista no art. 103-A, §3.º, da CF (regulamentada pela Lei n.º 11.417/2006), utilizada para cassar ato administrativo que contrarie súmula vinculante, é julgada pelo STF e consiste em controle jurisdicional exercido por Poder diverso daquele que praticou o ato, caracterizando, assim, modalidade de controle externo da atividade administrativa.

9. Embora as comissões parlamentares de inquérito estejam, como uma modalidade de controle legislativo, aptas a investigar fatos determinados em prazos determinados, elas são desprovidas de poder condenatório.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Conforme o art. 58, §3.º, da CF, as CPIs têm poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, mas não possuem poder de julgamento ou condenação; suas conclusões, quando for o caso, são encaminhadas ao Ministério Público para que este promova a responsabilização civil ou penal dos envolvidos.

Determinado órgão público, por intermédio de seu titular, pretende delegar parte de sua competência administrativa para outro órgão com a mesma estrutura, seguindo os preceitos da Lei Federal n.º 9.784/1999. Com referência a essa situação hipotética, julgue os itens subsequentes.

10. Nessa situação, o órgão delegante pertence necessariamente à administração pública federal, e não ao Poder Judiciário ou ao Poder Legislativo.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 1.º, §1.º, da Lei n.º 9.784/1999 estende expressamente a aplicação de seus preceitos aos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário da União quando no desempenho de função administrativa. Logo, o órgão delegante pode pertencer a esses Poderes, e não apenas à administração pública federal do Executivo.

11. O órgão delegatário não precisa ser hierarquicamente subordinado ao delegante.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 12 da Lei n.º 9.784/1999 permite expressamente a delegação de competência a órgãos ou titulares que não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando conveniente em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.

12. O objeto do ato pode ser a edição de atos normativos.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 13, inciso I, da Lei n.º 9.784/1999 veda expressamente que a edição de atos de caráter normativo seja objeto de delegação, ao lado da decisão de recursos administrativos e das matérias de competência exclusiva do órgão.

Foi realizado concurso para o preenchimento de vagas para determinado cargo público, de natureza civil, da administração direta federal. Após a divulgação dos resultados, os aprovados foram nomeados. Considerando essa situação hipotética e o que dispõe a Lei n.º 8.112/1990, julgue os itens subsecutivos.

13. É correto afirmar que o cargo público em questão foi criado por lei.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 3.º, parágrafo único, da Lei n.º 8.112/1990 estabelece que os cargos públicos são criados por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão.

14. Os aprovados no referido concurso público serão investidos em cargos em comissão mediante posse e somente adquirirão estabilidade se, após três anos de efetivo exercício, forem aprovados no estágio probatório.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A aprovação em concurso público gera investidura em cargo de provimento efetivo, e não em cargo em comissão, o qual é de livre nomeação e exoneração e dispensa concurso público (art. 37, II, da CF, c/c art. 9.º, II, da Lei n.º 8.112/1990). A afirmação contradiz a própria hipótese de concurso público narrada no enunciado.

15. O concurso público seria desnecessário se a investidura se destinasse a emprego público na administração indireta federal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 37, II, da CF exige aprovação prévia em concurso público tanto para investidura em cargo quanto em emprego público, inclusive na administração indireta (empresas públicas e sociedades de economia mista), ressalvadas apenas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.

Acerca dos sentidos e das concepções de constituição e da posição clássica e majoritária da doutrina constitucionalista, julgue os itens que se seguem.

16. A Constituição Federal brasileira pode ser considerada uma constituição-garantia, pois regulamenta, de forma analítica, os assuntos mais relevantes à formação, à destinação e ao funcionamento do Estado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A constituição-garantia é sintética, negativa, e volta-se a limitar o poder estatal e assegurar direitos individuais, sem se estender a matérias programáticas. A CF/1988, por regulamentar analiticamente inúmeros temas relativos à formação, destinação e funcionamento do Estado, é classificada pela doutrina majoritária como constituição dirigente (analítica/prolixa), e não como constituição-garantia.

17. Quanto ao objeto das constituições, são exemplos tradicionais o estabelecimento do modo de aquisição do poder e a forma de seu exercício.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Quanto ao objeto (sentido material), a doutrina aponta como conteúdo típico das constituições a organização do Estado e dos poderes, o modo de aquisição e exercício do poder político e os direitos e garantias fundamentais, sendo esses, portanto, exemplos tradicionais do objeto constitucional.

18. Sob a ótica da constituição política, um Estado pode ter uma constituição material sem que tenha uma constituição escrita que descreva a sua organização de poder.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Mesmo sem um documento escrito e sistematizado (constituição em sentido formal), todo Estado possui um conjunto de normas, ainda que costumeiras, que organizam seu poder político (constituição em sentido material), como ocorre no Reino Unido, cuja constituição não está consolidada em texto único escrito.

Considerando a posição majoritária e atual do Supremo Tribunal Federal (STF), julgue os itens a seguir, a respeito dos fundamentos constitucionais dos direitos e deveres fundamentais, do Poder Judiciário, da segurança pública e das atribuições constitucionais da Polícia Federal.

19. A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, podendo o juiz da execução autorizar a saída antecipada de sentenciados enquadrados nesse regime em razão da falta de vagas no estabelecimento penal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A assertiva reproduz a Súmula Vinculante 56 do STF, combinada com os parâmetros fixados no RE 641.320/RS: a falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime mais gravoso, cabendo ao juiz da execução, entre outras medidas, autorizar a saída antecipada de sentenciados em razão da falta de vagas.

20. O foro por prerrogativa de função estabelecido por uma constituição estadual prevalece sobre a competência constitucional do tribunal do júri.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

É o inverso do que dispõe a Súmula Vinculante 45 do STF: a competência constitucional do tribunal do júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente por constituição estadual.

21. Como regra, a medida própria para a reparação de eventual abuso da liberdade de expressão é o direito de resposta ou a responsabilização civil, e não a supressão de texto jornalístico por meio de liminar.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Alinha-se à jurisprudência do STF de vedação à censura prévia (art. 5º, IX, e ADPF 130): o excesso no exercício da liberdade de expressão/imprensa deve ser reparado a posteriori, por direito de resposta ou responsabilização civil, e não por liminar supressiva de conteúdo jornalístico.

22. O confisco e a posterior reversão a fundo especial de bem apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes exigem prova de habitualidade e reiteração do uso do bem para a referida finalidade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A jurisprudência do STF, à luz do art. 243, parágrafo único, da CF, dispensa a prova de habitualidade ou reiteração do uso do bem no tráfico ilícito de entorpecentes: basta o uso comprovado, ainda que isolado, para autorizar o confisco e a reversão do bem a fundo especial.

Com base no disposto na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os itens subsequentes.

23. Compete à Polícia Federal exercer as funções de polícia marítima.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 144, §1º, III, da CF atribui expressamente à Polícia Federal o exercício das funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras.

24. Cabe originariamente ao STF processar e julgar habeas data contra ato de ministro de estado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O habeas data contra ato de Ministro de Estado é da competência originária do STJ, nos termos do art. 105, I, "b", da CF, e não do STF, cuja competência do art. 102, I, "d", abrange atos do Presidente da República, das Mesas da Câmara e do Senado, do TCU, do PGR e do próprio STF.

25. Cumpre ao STF julgar o recurso ordinário de habeas corpus decidido em única instância pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Nos termos do art. 102, II, "a", da CF, compete ao STF julgar em recurso ordinário o habeas corpus decidido em única instância pelos Tribunais Superiores, categoria que inclui o TSE.

26. Compete à Advocacia-Geral da União exercer as atividades de consultoria e assessoramento jurídico à Polícia Federal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 131 da CF estabelece que a AGU representa a União e exerce as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo, do qual a Polícia Federal, órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, faz parte.

A respeito do controle de constitucionalidade no sistema constitucional brasileiro, julgue os itens subsequentes.

27. Conforme o conceito de bloco de constitucionalidade, há normas constitucionais não expressamente incluídas no texto da CF que podem servir como paradigma para o exercício de controle de constitucionalidade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

É a definição doutrinária consagrada de bloco de constitucionalidade: parâmetros normativos que, embora não constem literalmente do texto constitucional (ex.: tratados de direitos humanos internalizados nos termos do art. 5º, §3º, da CF), servem de paradigma ao controle de constitucionalidade.

28. Para o efeito do conhecimento da reclamação constitucional, o STF admite o uso da teoria da transcendência dos motivos determinantes das ações julgadas em sede de controle concentrado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A posição majoritária e atual do STF é de rejeição da teoria da transcendência dos motivos determinantes para fins de cabimento de reclamação constitucional, entendendo-se que apenas o dispositivo da decisão em controle concentrado possui efeito vinculante, não a sua fundamentação.

29. É vedado ao Poder Legislativo efetuar o controle de constitucionalidade repressivo de normas em abstrato.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 49, V, da CF autoriza o Congresso Nacional a sustar atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa, configurando hipótese admitida de controle repressivo de constitucionalidade exercido pelo Legislativo.

A respeito do domicílio, da responsabilidade civil e das sociedades comerciais, julgue os itens que se seguem.

30. Se uma pessoa viver, de forma alternada, em diversas residências, qualquer uma delas poderá ser considerada seu domicílio.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Reproduz o art. 71 do CC: se a pessoa natural tiver diversas residências, onde alternadamente viva, qualquer uma delas será considerada seu domicílio (domicílio plural).

31. Se um terceiro aproximar-se de um autor de um crime que estiver imobilizado pela polícia e acertá-lo com um tiro letal, estará configurada a responsabilidade objetiva do Estado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Segundo a tese do STF fixada no RE 841.526 (Tema 592), o Estado tem dever específico de proteção sobre pessoas sob sua custódia, respondendo objetivamente por danos causados a elas mesmo por ato de terceiro, exatamente a hipótese do autor do crime já imobilizado pela polícia.

32. A dissolução de sociedade limitada constituída por prazo indeterminado deve ocorrer por consenso unânime dos sócios.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Pelo art. 1.033, III, do CC, a sociedade de prazo indeterminado pode ser dissolvida por deliberação da maioria absoluta dos sócios, não sendo exigido o consenso unânime, que é apenas uma das hipóteses alternativas de dissolução (art. 1.033, II, do CC).

A respeito da jurisdição, da competência e do poder geral de cautela no processo civil, julgue os itens subsequentes.

33. As características da jurisdição incluem substituir, no caso concreto, a vontade das partes pela vontade do juiz, o que, por sua vez, resolve a lide e promove a pacificação social.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Na formulação clássica de Chiovenda, adotada pela doutrina processual brasileira, a jurisdição substitui a vontade das partes pela vontade concreta da LEI, não pela "vontade do juiz", que apenas revela/aplica o direito objetivo ao caso concreto.

34. No curso de processo de ação de acidente de trabalho que tramite na justiça estadual, se a União intervier como interessada, o juiz deverá efetuar a remessa dos autos para a justiça federal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 109, I, da CF excetua expressamente as causas de acidente de trabalho da competência da justiça federal, de modo que, mesmo com a intervenção da União como interessada, o processo permanece na justiça estadual.

Quatro amigos trabalham juntos há dez anos com a compra e a venda de carros usados. A sociedade não tem registro em junta comercial. Seu funcionamento ocorre em um imóvel de propriedade de Geraldo, sócio que assina todos os contratos da sociedade. A sede é mobiliada com itens de propriedade comum de todos e dispõe de espaço para a exposição de veículos, os quais são comprados pelos quatro sócios conjuntamente, para posterior venda a terceiros. Recentemente, eles passaram a enfrentar dificuldades negociais e problemas financeiros, razão por que os credores começaram a ajuizar ações e fazer cobranças. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.

35. Os sócios em questão respondem solidária e ilimitadamente com seu patrimônio pessoal pelas dívidas da sociedade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Por não ter registro na junta comercial, a sociedade é uma sociedade em comum, regida pelo art. 990 do CC, segundo o qual todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais.

36. Nessa situação, para tentar superar a fase crítica, os sócios podem pedir a recuperação judicial da empresa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 48 da Lei n.º 11.101/2005 exige que o devedor exerça regularmente suas atividades há mais de dois anos para requerer recuperação judicial; sociedade em comum, sem registro na junta comercial, não preenche o requisito de regularidade e, portanto, não pode requerê-la.

37. Geraldo poderá pleitear que a execução de seu imóvel particular por dívidas da sociedade ocorra somente após a execução dos bens sociais.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 990 do CC exclui do benefício de ordem do art. 1.024 do CC justamente o sócio que contratou em nome da sociedade; como Geraldo é quem assina todos os contratos sociais, ele não pode invocar esse benefício.

Luigi, nacional da Itália, passou a residir no Brasil em julho de 2019, logo após o trânsito em julgado de condenação criminal proferida por um tribunal da cidade de Roma. De acordo com a legislação, o Brasil não tem competência para julgar o crime cometido por Luigi, mas a conduta motivadora do decreto condenatório na Itália é considerada crime no Brasil, com previsão de pena de dois anos e seis meses de prisão. Antes da formalização do pedido de extradição, os responsáveis pelo caso no Estado italiano tinham feito às autoridades brasileiras a requisição para a efetivação da prisão cautelar do extraditando, com o objetivo de assegurar a executoriedade da medida, o que foi deferido e cumprido pelo Brasil em outubro de 2019. Considerando essa situação hipotética, as previsões da Lei n.º 13.445/2017 e a jurisprudência do STF, julgue os itens subsequentes.

38. Caso deseje, Luigi pode entregar-se ao Estado italiano por meio da extradição voluntária, procedimento que, por seu caráter simplificado e célere, torna desnecessário o pronunciamento prévio do STF.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Mesmo na extradição voluntária, o art. 84 da Lei n.º 13.445/2017 exige que a manifestação de vontade do extraditando seja tomada perante o juiz federal, que lavra termo e remete os autos ao STF para deliberação, não dispensando o pronunciamento da Corte.

39. A extradição de Luigi não poderá ser efetivada sem que a Itália assuma o compromisso de computar o tempo da prisão que tenha sido cumprido no Brasil em razão da decisão cautelar.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 96, II, da Lei n.º 13.445/2017 condiciona a efetivação da entrega do extraditando ao compromisso do Estado requerente de computar (detração) o tempo de prisão cumprido no Brasil em razão da extradição, o que inclui a prisão cautelar decretada para essa finalidade.

40. O STF poderá, após a análise do caso, determinar que o extraditando responda ao processo de extradição em liberdade, além de impor medidas cautelares diversas da prisão, como a retenção do documento de viagem, até o julgamento definitivo da ação.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 86 da Lei n.º 13.445/2017 autoriza o STF a determinar prisão domiciliar, regime semiaberto ou que o extraditando responda ao processo em liberdade, impondo medidas cautelares diversas da prisão, como a retenção do documento de viagem, até o julgamento definitivo.

Tendo como referência a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e seu Protocolo Adicional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em especial mulheres e crianças, julgue os itens a seguir.

41. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não é possível a homologação de sentença penal estrangeira que determine o perdimento de imóvel situado no Brasil por considerar que o bem seja produto de infrações previstas na Convenção de Palermo, como, por exemplo, o crime de lavagem de dinheiro.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O STJ já homologou sentença penal estrangeira determinando o perdimento de imóvel situado no Brasil quando o bem é produto de lavagem de dinheiro, com fundamento no art. 12 da Convenção de Palermo (Decreto 5.015/2004), que prevê cooperação internacional para confisco (SEC 10.612/FI, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 18/5/2016). Logo, a homologação é sim possível, ao contrário do que afirma o item.

42. Conforme o protocolo adicional à Convenção de Palermo, mesmo que não seja usada a força ou outras formas de coação para obter o consentimento, a transferência de uma pessoa com idade inferior a dezoito anos com o objetivo de explorá-la será considerada “tráfico de pessoas”.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 3º, "c", do Protocolo de Palermo dispõe que o recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de criança (menor de 18 anos) para fins de exploração é considerado "tráfico de pessoas" mesmo sem o uso de nenhum dos meios de coação previstos na alínea "a". A menoridade da vítima dispensa a demonstração de força ou fraude.

43. A pobreza, o subdesenvolvimento e a desigualdade de oportunidades tornam as pessoas, especialmente as mulheres e as crianças, vulneráveis ao tráfico, razão por que devem os Estados-partes reforçar as medidas de combate e esses tipos de fatores sociais.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O preâmbulo do Protocolo Adicional à Convenção de Palermo relativo ao tráfico de pessoas reconhece expressamente que a pobreza, o subdesenvolvimento e a falta de oportunidades iguais tornam as pessoas, sobretudo mulheres e crianças, vulneráveis ao tráfico, recomendando aos Estados-partes medidas que combatam esses fatores sociais estruturais.

Com relação aos crimes previstos em legislação especial, julgue os itens a seguir.

44. A importação de sementes de maconha em pequena quantidade é considerada conduta atípica.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O STJ firmou entendimento de que a semente de Cannabis sativa não contém o princípio ativo (THC) capaz de causar dependência física ou psíquica, não se enquadrando no conceito de "droga" da Portaria SVS/MS 344/98 nem no art. 33 da Lei 11.343/2006. Por isso, a importação de pequena quantidade de sementes é conduta atípica (cf. EREsp 1.624.564/SP).

45. A teoria do domínio do fato permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de crimes complexos, como o de sonegação fiscal, sem a descrição da conduta.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A teoria do domínio do fato serve para identificar a autoria em estruturas organizadas, mas não dispensa a exigência constitucional de individualização e descrição mínima da conduta na denúncia (art. 41 do CPP, ampla defesa e contraditório). Invocá-la isoladamente para suprir a ausência de descrição fática foi expressamente rechaçado pela doutrina e por vozes do STF, inclusive no julgamento da AP 470 (Mensalão).

46. É conduta atípica o porte ilegal de arma de fogo de uso permitido com registro de cautela vencido.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O STJ distingue posse (art. 12) de porte (art. 14 do Estatuto do Desarmamento): a atipicidade por mera pendência de renovação documental é reconhecida apenas para a posse doméstica de arma registrada, não para o porte, que exige autorização válida e atual para circulação em via pública dado o maior risco à segurança coletiva. Assim, o porte com cautela/registro vencido permanece conduta típica.

47. A conduta de impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação é delito de natureza permanente.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O crime do art. 48 da Lei 9.605/1998 é classificado pela jurisprudência como permanente, pois a consumação se prolonga no tempo enquanto persistir o impedimento à regeneração da vegetação, com reflexo direto na contagem do prazo prescricional, que só se inicia com a cessação da conduta (art. 111, III, CP).

48. A antecipação, por delegado da Polícia Federal, por meio de rede social, da atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação, caracteriza crime previsto na Lei de Abuso de Autoridade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 38 da Lei 13.869/2019 tipifica exatamente essa conduta: antecipar, por meio de comunicação, inclusive rede social, a atribuição de culpa a investigado ou fiscalizado antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação, podendo o sujeito ativo ser autoridade policial, membro do MP ou servidor com poder de investigação.

No que concerne aos crimes previstos na parte especial do Código Penal, julgue os itens subsequentes.

49. Em se tratando do crime de falsidade ideológica, o prazo prescricional se reinicia com a eventual reiteração de seus efeitos.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A falsidade ideológica (art. 299 do CP) é crime instantâneo de efeitos permanentes, consumando-se no momento da inserção da declaração falsa no documento; a mera continuidade ou reiteração dos efeitos do documento falso não reinicia o prazo prescricional, que corre a partir da data da consumação (art. 111, I, CP).

50. O crime de redução à condição análoga à de escravo pode ocorrer independentemente da restrição à liberdade de locomoção do trabalhador.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 149 do CP prevê múltiplas formas de execução (trabalhos forçados, jornada exaustiva, condições degradantes, restrição por dívida), sendo a restrição à liberdade de ir e vir apenas uma delas. STF e STJ pacificaram que a configuração do crime independe de cerceamento físico da locomoção, bastando a violação da dignidade humana por qualquer das demais modalidades.

51. A adoção de sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A existência de câmeras, sensores ou vigilância eletrônica não confere ao estabelecimento vigilância absoluta e instantânea capaz de impedir a subtração, de modo que o furto pode se consumar ou ser tentado mesmo sob monitoramento. A jurisprudência do STJ afasta a tese do crime impossível (art. 17, CP) nessas hipóteses, por não haver ineficácia absoluta do meio empregado.

52. Em se tratando de crime de extorsão, não se admite tentativa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Embora a Súmula 96/STJ estabeleça que a extorsão se consuma independentemente da obtenção da vantagem indevida, a doutrina e a jurisprudência admitem a tentativa quando o constrangimento (violência ou grave ameaça) é interrompido antes de se completar, por circunstâncias alheias à vontade do agente, não havendo incompatibilidade absoluta com o conatus.

Acerca da teoria da pena, julgue os itens que se seguem.

53. Segundo o Superior Tribunal de Justiça, a determinação da fixação da medida de segurança de internação em hospital de custódia ou em tratamento ambulatorial deve ser vinculada à gravidade do delito perpetrado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O STJ pacificou que a escolha entre internação em hospital de custódia e tratamento ambulatorial deve considerar a periculosidade do agente, e não a gravidade abstrata do delito cometido, cabendo ao juiz optar pela medida mais adequada mesmo em fatos apenados com reclusão, em respeito aos princípios da adequação e da proporcionalidade.

54. O acórdão confirmatório da condenação interrompe a prescrição.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

No Tema 788 da repercussão geral (leading case HC 176.473/RR, julgado em 2020), o STF fixou a tese de que o acórdão condenatório recorrível interrompe a prescrição (art. 117, IV, CP), inclusive quando apenas confirma a sentença de primeiro grau, ainda que reduza a pena aplicada.

55. O inadimplemento da pena de multa não obsta a extinção da punibilidade do apenado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Na ADI 3.150, julgada pelo STF em 2018, fixou-se que a alteração do art. 51 do CP pela Lei 9.268/1996 não retirou o caráter de sanção criminal da pena de multa. Assim, à época do certame (2021), o inadimplemento da multa, ainda que cumprida a pena privativa de liberdade, obstava a extinção da punibilidade, cabendo sua execução prioritariamente ao Ministério Público.

56. Na hipótese da prática de furto a residência, se a vítima não se encontrava no local e os autores desconheciam o fato de que ela era idosa, não se aplica a agravante relativa à vítima ser idosa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A agravante do art. 61, II, "h", do CP exige que a circunstância (vítima maior de 60 anos) seja conhecida ou cognoscível pelo agente no momento da conduta, em razão do princípio da culpabilidade (art. 19, CP). Desconhecendo os autores a condição de idosa da vítima ausente do local, a agravante não pode lhes ser imputada.

Com relação à teoria geral do direito penal, julgue os itens seguintes.

57. A consciência atual da ilicitude é elemento do dolo, conforme a teoria finalista da ação.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Pela teoria finalista, o dolo é natural, composto apenas por consciência e vontade dirigidas à realização do tipo objetivo, sem incluir a consciência da ilicitude. Esta migra para a culpabilidade como potencial (e não atual) consciência da ilicitude, conforme a teoria limitada da culpabilidade adotada pelo Código Penal.

58. A conduta humana voluntária é irrelevante para a configuração do crime culposo.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A conduta humana voluntária é elemento essencial do crime culposo — o agente quer a conduta, não o resultado —, ao lado da violação do dever objetivo de cuidado, do resultado involuntário previsível e do nexo causal. Sem voluntariedade da conduta não há fato típico culposo.

59. A imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A definição corresponde ao conceito doutrinário consagrado de imputabilidade: a capacidade psíquica e mental (higidez biopsicológica) que permite atribuir ao agente a responsabilidade penal pela prática do fato típico e ilícito, elemento da culpabilidade ao lado da potencial consciência da ilicitude e da exigibilidade de conduta diversa.

60. O dolo eventual é incompatível com a tentativa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A doutrina e a jurisprudência majoritárias (STJ e STF) admitem a tentativa em crimes praticados com dolo eventual, como no homicídio tentado por assunção do risco (art. 18, I, 2ª parte, CP c/c art. 14, II, CP). Não há incompatibilidade lógica entre assumir o risco do resultado e este não se consumar por circunstâncias alheias à vontade do agente.

61. Conforme a autoria de escritório, tanto o agente que dá a ordem como o que cumpre respondem pelo tipo penal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A "autoria de escritório" (Organisationsherrschaft, de Claus Roxin), aplicada a estruturas hierarquizadas de poder, reconhece como autor tanto quem ordena, por dominar a organização, quanto quem executa, respondendo ambos pelo tipo penal — tese utilizada pelo STF no julgamento da AP 470 (Mensalão).

No que se refere aos crimes contra a administração pública, julgue os próximos itens.

62. Um médico de hospital particular conveniado ao Sistema Único de Saúde pode ser equiparado a funcionário público, para fins de responsabilização penal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Pelo art. 327, §1º, do CP, equipara-se a funcionário público quem exerce função em entidade contratada ou conveniada para execução de atividade típica da Administração Pública. A jurisprudência do STJ reconhece essa equiparação a médicos de hospitais particulares conveniados ao SUS quando atuam na prestação de serviços públicos de saúde.

63. Na hipótese de crime de peculato doloso, o ressarcimento do dano exclui a punibilidade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 312, §3º, do CP prevê a extinção da punibilidade pelo ressarcimento do dano antes da sentença irrecorrível apenas para o peculato culposo (§2º). No peculato doloso, a reparação do dano antes do julgamento configura, no máximo, atenuante genérica (art. 65, III, "b", CP), jamais causa extintiva da punibilidade, distinção reforçada pela Súmula 554/STJ quanto a crimes patrimoniais e tributários em geral.

64. O crime de facilitação de contrabando e descaminho se consuma com a efetiva facilitação, não sendo necessária a consumação do contrabando ou descaminho.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 318 do CP tipifica a facilitação, com infração de dever funcional, à prática de contrabando ou descaminho como crime formal autônomo contra a probidade da função pública. A consumação ocorre com o próprio ato de facilitar, sendo prescindível que o contrabando ou descaminho venha efetivamente a se consumar por obra de terceiro.

65. O pagamento do tributo devido extingue a punibilidade do crime de descaminho.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Superada a antiga Súmula 560/STF, o STJ consolidou o entendimento de que o descaminho (art. 334, CP) é crime formal que tutela bens jurídicos mais amplos que a mera arrecadação tributária (a Administração Pública, o controle aduaneiro e a indústria nacional). Assim, ao contrário do que ocorre nos crimes da Lei 8.137/1990, o pagamento do tributo devido não extingue a punibilidade do descaminho.

Com relação aos crimes contra a fé pública, julgue os itens que se seguem.

66. O crime de moeda falsa é incompatível com o instituto do arrependimento posterior.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O crime de moeda falsa (art. 289 do CP) tutela a fé pública, bem jurídico coletivo e não patrimonial, cuja lesão não é passível de reparação individualizada. Por isso, a jurisprudência do STJ considera o delito incompatível com o arrependimento posterior (art. 16 do CP), instituto que pressupõe reparação do dano ou restituição da coisa em favor de vítima determinada.

67. O indivíduo foragido do sistema carcerário que utiliza carteira de identidade falsa perante a autoridade policial para evitar ser preso pratica o crime de falsa identidade.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Como o agente utilizou carteira de identidade FALSA (documento falsificado), e não apenas se atribuiu verbalmente outra identidade, a conduta se amolda ao crime de uso de documento falso (art. 304 c/c art. 297 do CP), mais grave, que afasta a tipificação do art. 307 do CP por força da cláusula final "não constituindo elemento de crime mais grave". A Súmula 522 do STJ (tipicidade da falsa identidade mesmo em autodefesa) aplica-se aos casos em que não há uso de documento falsificado.

68. O advogado de réu pode vir a responder pelo crime de falso testemunho, na hipótese de induzir testemunha a prestar determinado depoimento.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Embora o falso testemunho (art. 342 do CP) seja crime de mão própria, o STJ admite a participação de terceiro que induz, instiga ou orienta a testemunha a mentir (ex.: REsp 402.783/SP), respondendo o advogado, nessa hipótese, como partícipe do delito.

69. O funcionário público que faz afirmação falsa em procedimentos de autorização ou de licenciamento ambiental não responde por falsidade ideológica, crime previsto no Código Penal, mas por crime específico previsto na lei de crimes ambientais (Lei n.º 9.605/1998).

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Pelo princípio da especialidade, a conduta de prestar afirmação falsa em procedimento de autorização ou licenciamento ambiental configura o tipo específico do art. 66 da Lei n.º 9.605/1998, afastando a aplicação do crime geral de falsidade ideológica (art. 299 do CP).

Em relação ao disposto na Lei n.º 9.613/1998, que se refere à lavagem de dinheiro, julgue os itens a seguir.

70. Ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional do acusado citado por edital que não comparecer nem constituir advogado.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 2.º, § 2.º, da Lei n.º 9.613/1998 afasta expressamente a aplicação do art. 366 do CPP aos processos por lavagem de dinheiro: o acusado citado por edital que não comparecer nem constituir advogado será processado à revelia, com nomeação de defensor dativo, e não há suspensão do processo nem do curso do prazo prescricional.

71. É requisito específico da denúncia a existência de indícios suficientes da ocorrência do crime antecedente cuja punibilidade não esteja extinta.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 2.º, § 1.º, da Lei n.º 9.613/1998 exige indícios suficientes da existência da infração penal antecedente, mas prevê expressamente que os fatos são puníveis ainda que extinta a punibilidade do crime antecedente, em razão da autonomia do crime de lavagem. A condição imposta pelo item contraria diretamente essa regra legal.

72. No que se refere ao investigado, a autoridade policial terá acesso a dados cadastrais relativos à qualificação pessoal, à filiação e ao endereço mantidos nos bancos de dados da justiça eleitoral, de empresas telefônicas, de instituições financeiras, de provedores de Internet e de administradoras de cartão de crédito, independentemente de autorização judicial.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 17-B da Lei n.º 9.613/1998 autoriza a autoridade policial e o Ministério Público a obter, independentemente de autorização judicial, dados cadastrais do investigado (qualificação pessoal, filiação e endereço) junto à Justiça Eleitoral, empresas telefônicas, instituições financeiras, provedores de internet e administradoras de cartão de crédito.

73. Ouvido o Ministério Público, ordens de prisão ou medidas assecuratórias de bens poderão ser suspensas pelo juiz quando a execução imediata dessas ações puder comprometer as investigações.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 4.º-B da Lei n.º 9.613/1998 prevê exatamente essa hipótese: ouvido o Ministério Público, o juiz pode suspender ordens de prisão ou medidas assecuratórias de bens quando sua execução imediata puder comprometer as investigações.

74. O crime de lavagem de dinheiro está, consoante a lei, equiparado ao crime hediondo.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A Lei n.º 9.613/1998 não equipara a lavagem de dinheiro a crime hediondo. Diferentemente do tráfico, da tortura e do terrorismo (equiparados pela CF, art. 5.º, XLIII), a lavagem de capitais não consta da Lei n.º 8.072/1990 nem de qualquer disposição legal equiparadora.

Com base na Lei n.º 7.492/1986, que diz respeito aos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, e na Lei n.º 8.137/1990, que se refere aos crimes contra a ordem econômica, tributária e as relações de consumo, julgue os itens que se seguem.

75. É vedada a intercepção de comunicações telefônicas no caso de crime de operação de câmbio não autorizada com o objetivo de promover a evasão de divisas, em decorrência das penas cominadas para o crime.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A evasão de divisas (art. 22, parágrafo único, da Lei n.º 7.492/1986) é punida com reclusão; como o art. 2.º, III, da Lei n.º 9.296/1996 só veda a interceptação para infrações punidas exclusivamente com detenção, a interceptação telefônica é cabível nesse crime, e não vedada.

76. Todos os crimes cometidos contra o sistema financeiro nacional que estiverem previstos na Lei n.º 7.492/1986 são de competência da justiça federal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 26 da Lei n.º 7.492/1986 estabelece que a ação penal pelos crimes nela previstos será promovida pelo Ministério Público Federal perante a Justiça Federal, fixando competência federal para todos os crimes contra o SFN ali tipificados.

77. A gestão fraudulenta e a gestão temerária de instituição financeira são crimes afiançáveis.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A Constituição só admite vedação de fiança nas hipóteses taxativas do art. 5.º, XLII a XLIV (racismo, tortura, tráfico, terrorismo e hediondos/equiparados), de modo que a restrição genérica do art. 31 da Lei n.º 7.492/1986 não subsiste diante da ordem constitucional. Assim, a gestão fraudulenta e a gestão temerária são, em regra, crimes afiançáveis.

78. Os crimes contra a ordem tributária, a ordem econômica e as relações de consumo previstos na Lei n.º 8.137/1990 submetem-se à ação penal pública incondicionada.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 15 da Lei n.º 8.137/1990 não condiciona a ação penal à representação do ofendido, de modo que os crimes contra a ordem tributária, econômica e as relações de consumo nela previstos são, em regra, de ação penal pública incondicionada.

79. A Súmula Vinculante n.º 24 do STF — que dispõe que não se tipifica crime material contra a ordem tributária, conforme previsto no art. 1.º, incisos I a IV, da Lei n.º 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo — não pode ser aplicada a fatos anteriores a sua edição.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Por consolidar entendimento interpretativo já vigente sobre o lançamento definitivo como condição objetiva de punibilidade, e não instituir norma penal nova, a Súmula Vinculante n.º 24 do STF tem sido aplicada também a fatos ocorridos antes de sua edição (2009), segundo entendimento dominante do STF e do STJ.

80. A jurisprudência dos tribunais superiores não admite mitigação da Súmula Vinculante n.º 24 do STF.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A jurisprudência do STF e do STJ admite a mitigação da Súmula Vinculante n.º 24 em hipóteses excepcionais, como embaraço doloso à fiscalização tributária, risco de dissipação patrimonial ou concurso com crimes formais (ex.: art. 1.º, V, da Lei n.º 8.137/1990), que dispensam o lançamento definitivo do tributo.

José, réu primário, foi preso em flagrante acusado de ter praticado crime doloso punível com reclusão de no máximo quatro anos. Na audiência de custódia, o juiz decretou a prisão preventiva de ofício. No entanto, a defesa de José solicitou, em seguida, a reconsideração da decisão, com base no argumento de que a conduta do preso era atípica. O juiz acatou a tese e relaxou a prisão. Considerando essa situação hipotética, julgue os itens subsequentes.

81. Em se tratando do crime praticado por José, admite-se a decretação de prisão preventiva.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 313, I, do CPP só autoriza a prisão preventiva nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima SUPERIOR a quatro anos. Como a pena máxima do crime de José é de exatamente quatro anos, e não há elementos que indiquem as demais hipóteses dos incisos II, III ou parágrafo único do art. 313, não se admite, em regra, a decretação de prisão preventiva.

82. Nessa situação, a primeira decisão do juiz foi regular, já que os tribunais superiores têm admitido, de ofício, a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva durante a audiência de custódia.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Após o Pacote Anticrime (Lei n.º 13.964/2019), o art. 311 do CPP não mais admite a decretação de prisão preventiva de ofício, exigindo representação da autoridade policial ou requerimento do MP, do querelante ou do assistente. Em fevereiro de 2021, a Terceira Seção do STJ pacificou que é vedada a conversão, de ofício, da prisão em flagrante em preventiva mesmo na audiência de custódia, contrariando a afirmação do item.

83. A decisão do juiz, que relaxou a prisão por entender que a conduta de José havia sido atípica, não faz coisa julgada.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A decisão que relaxa a prisão em audiência de custódia, com base em cognição sumária sobre a atipicidade da conduta, tem natureza provisória e não representa exame definitivo do mérito da ação penal, razão pela qual não faz coisa julgada material, podendo a questão ser rediscutida na ação penal.

84. Devido à pena prevista para o crime praticado por José, delegados ficam vedados a arbitrar a fiança.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 322 do CPP autoriza a autoridade policial a conceder fiança nas infrações punidas com pena privativa de liberdade máxima NÃO SUPERIOR a quatro anos. Como a pena máxima do crime de José é de quatro anos (dentro do limite legal), o delegado pode arbitrar fiança, não havendo a vedação afirmada no item.

Considerando a posição dos tribunais superiores em relação à competência criminal, julgue os itens subsequentes.

85. Compete à justiça federal processar e julgar o crime de redução à condição análoga à de escravo.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O STF firmou entendimento (RE 398.041) de que o crime de redução a condição análoga à de escravo (art. 149 do CP) atenta contra a organização do trabalho e direitos humanos protegidos internacionalmente, fixando a competência da Justiça Federal (CF, art. 109, VI).

86. Em regra, cabe à justiça federal processar e julgar os crimes contra o meio ambiente.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A regra geral é a competência da Justiça Estadual para os crimes ambientais, deslocando-se para a Justiça Federal apenas quando houver lesão a bens, serviços ou interesse direto e específico da União, suas autarquias ou empresas públicas, ou ofensa a tratado internacional (CF, art. 109, IV e V). A antiga Súmula 91 do STJ, que fixava competência federal em regra, foi cancelada.

87. Compete à justiça federal processar e julgar o crime de disponibilizar ou adquirir material pornográfico que envolva criança ou adolescente praticado por meio de troca de informações privadas, como, por exemplo, conversas via aplicativos de mensagens ou chat nas redes sociais.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O STJ firmou que, quando a troca de material pornográfico infantil ocorre por mensagens privadas entre destinatários certos (WhatsApp, chat), sem prova de internacionalidade, a competência é da Justiça Estadual, reservando-se a Justiça Federal para os casos de divulgação em meio de acesso aberto ao público ou de transnacionalidade comprovada.

Quanto à prova criminal, julgue os itens que se seguem.

88. A confissão do acusado não dispensa a realização do exame de corpo de delito nos casos de crimes não transeuntes.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 158 do CPP é expresso ao determinar que, quando a infração deixar vestígios (crime não transeunte), é indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo a confissão do acusado suprir essa exigência.

89. Na ausência de um perito oficial, a perícia pode ser feita por duas pessoas idôneas portadoras de curso superior, preferencialmente com habilitação técnica relacionada à natureza do exame.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 159, § 1.º, do CPP exige, na falta de perito oficial, duas pessoas idôneas portadoras de diploma de curso superior, preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada à natureza do exame. O item desloca o “preferencialmente” para a habilitação técnica, que na lei é requisito obrigatório, não preferência.

90. No que se refere ao procedimento de reconhecimento, a pessoa que será reconhecida deverá, se possível, ser posicionada ao lado de outras pessoas com semelhanças físicas, sem número definido de indivíduos, para que, em seguida, a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento seja convidada a apontá-la.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 226, II, do CPP determina que a pessoa a ser reconhecida seja colocada, se possível, ao lado de outras com semelhança física, convidando-se quem deve reconhecer a apontá-la, sem exigir número mínimo determinado de participantes, tal como descrito no item.

91. É nula a decisão judicial que indefere a oitiva das vítimas do crime arroladas pela defesa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Nos termos do art. 400, § 1.º, do CPP, o juiz pode indeferir motivadamente provas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias, e a nulidade processual, por força do princípio pas de nullité sans grief (art. 563 do CPP), só se reconhece mediante demonstração de efetivo prejuízo. A afirmação categórica e incondicionada de nulidade, portanto, não procede.

92. A ordem judicial de busca domiciliar autoriza o acesso aos dados armazenados no celular apreendido pela autoridade policial.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Quando a apreensão do aparelho celular decorre do cumprimento de mandado judicial de busca e apreensão domiciliar regularmente expedido, o acesso aos dados nele armazenados está abrangido pela própria autorização judicial que já ponderou a invasão de privacidade, dispensando nova ordem específica. A exigência de autorização apartada (ou consentimento) aplica-se aos casos em que o aparelho é apreendido sem mandado judicial prévio.

Após ligação anônima, a polícia realizou busca em determinada casa, onde encontrou pessoas preparando pequenos pacotes de determinada substância — aparentemente entorpecente —, os quais foram apreendidos, além de armas de fogo de alto calibre. Durante a diligência, o delegado, informalmente, realizou entrevistas com as pessoas que estavam no domicílio. Durante essas entrevistas, um dos indivíduos confessou a prática do delito e, posteriormente, colaborou com a identificação dos demais membros da organização criminosa. A partir das informações do colaborador, foi realizada uma ação controlada. A partir dessa situação hipotética, julgue os próximos itens.

93. A substância apreendida deve ser submetida à perícia para a elaboração do laudo de constatação provisório da natureza e da quantidade da droga, análise que deve ser realizada por perito, o qual, por sua vez, ficará impedido de elaborar o laudo definitivo.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 50, §1º, da Lei 11.343/2006 exige o laudo de constatação para a lavratura do flagrante, mas o §2º do mesmo artigo estabelece expressamente que o perito que o subscreve NÃO fica impedido de participar da elaboração do laudo definitivo. O item inverte essa regra ao afirmar o impedimento.

94. A ação controlada na investigação da organização criminosa independe de prévia autorização judicial e parecer ministerial.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Pelo art. 8º, §1º, da Lei 12.850/2013 (redação da Lei 13.964/2019), a ação controlada na investigação de organização criminosa dispensa autorização judicial prévia, bastando comunicação prévia ao juiz, que pode fixar limites, e a cientificação do Ministério Público — sem necessidade de parecer ministerial antecedente. Esse regime é mais brando que o do art. 53 da Lei 11.343/2006, aplicável a crimes de drogas, que exige autorização judicial e oitiva do MP.

95. De acordo com o Supremo Tribunal Federal, a entrevista informalmente conduzida pelo delegado durante a realização da busca domiciliar viola as garantias individuais dos presos.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O STF firmou entendimento (cf. HC 80.949/RJ, Rel. Min. Sepúlveda Pertence) de que a chamada 'confissão informal' extraída de pessoa presa, sem as advertências constitucionais quanto ao direito ao silêncio e à não autoincriminação (art. 5º, LXIII, CF), viola as garantias individuais do preso. A entrevista informal do delegado durante a busca, sem tais garantias, enquadra-se nessa vedação.

96. A busca domiciliar fundamentada em notícia anônima foi válida em razão da descoberta da situação que culminou em flagrante delito.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Pela tese de repercussão geral do STF (Tema 280, RE 603.616), a entrada forçada em domicílio sem mandado só é lícita quando amparada em fundadas razões preexistentes à diligência que indiquem flagrante delito, sob pena de nulidade dos atos; a mera notícia anônima, sem investigação prévia que a corrobore, não configura essas fundadas razões, e o resultado positivo da busca não pode legitimar retroativamente uma entrada originalmente injustificada.

97. Devido à colaboração relevante do preso para a identificação da organização criminosa nos autos do inquérito policial, o delegado, com a manifestação do Ministério Público, poderá representar ao juiz pela concessão de perdão judicial.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 4º, §2º, da Lei 12.850/2013 autoriza expressamente o delegado de polícia, nos autos do inquérito e com a manifestação do Ministério Público, a representar ao juiz pela concessão de perdão judicial ao colaborador, em razão da relevância de sua colaboração, ainda que tal benefício não constasse da proposta inicial.

No que se refere à criminologia, julgue os itens a seguir.

98. Prevenção primária consiste na implementação de medidas sociais indiretas de prevenção para evitar que fatores exógenos sirvam como estímulo à prática delituosa.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

Na doutrina criminológica (García-Pablos de Molina), a prevenção primária atua sobre as raízes sociais do delito por meio de políticas sociais gerais e indiretas dirigidas à coletividade, distinguindo-se da prevenção secundária (foco em grupos de risco/atuação policial) e da terciária (voltada ao já condenado). A definição do item corresponde a esse conceito padrão.

99. Os objetos da criminologia são o delinquente, a vítima, o controle social e a justiça criminal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Os quatro objetos clássicos da criminologia, segundo a doutrina majoritária, são o delito (crime), o delinquente, a vítima e o controle social — e não a 'justiça criminal', que não integra esse rol. O item erra ao substituir o crime/delito por 'justiça criminal'.

100. A polícia, o Poder Judiciário e o sistema penitenciário exercem o controle social formal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O controle social formal é exercido pelas instituições estatais oficialmente incumbidas da prevenção e repressão da criminalidade, como a polícia, o Poder Judiciário e o sistema penitenciário, em contraposição ao controle social informal exercido pela família, escola e outros agentes sociais.

No que se refere ao financiamento da seguridade social, julgue os itens subsequentes.

101. As contribuições sociais do empregador compõem o financiamento da seguridade social e são incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 195, I, alíneas 'a', 'b' e 'c', da CF/88 prevê exatamente essas três bases de incidência das contribuições sociais do empregador destinadas ao financiamento da seguridade social: folha de salários, receita/faturamento e lucro.

102. Para a execução do orçamento da seguridade social, o tesouro nacional deve repassar mensalmente os recursos referentes às contribuições sociais incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 19 da Lei 8.212/1991 determina que o Tesouro Nacional repasse mensalmente à seguridade social os recursos referentes às contribuições incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos, receita que o art. 195, III, da CF destina ao seu financiamento.

Considerando que determinado servidor público, ocupante de cargo em comissão, esteja preparando-se para o concurso de delegado da Polícia Federal, julgue os itens a seguir.

103. É correto afirmar que, atualmente, o servidor em questão é segurado facultativo da previdência social.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Nos termos do art. 11, I, 'g', da Lei 8.213/1991, o servidor público ocupante exclusivamente de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com o ente público, é segurado OBRIGATÓRIO do RGPS na categoria empregado, e não segurado facultativo.

104. Caso venha a ser aprovado no concurso almejado, esse servidor poderá requerer a contagem recíproca do tempo de contribuição.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 201, §9º, da CF assegura a contagem recíproca do tempo de contribuição entre o RGPS e os regimes próprios de previdência social, com compensação financeira entre os regimes; ao tomar posse no cargo efetivo de delegado (sujeito a RPPS), o servidor poderá computar o tempo contribuído como comissionado no RGPS.

Luzia é segurada da previdência social na categoria empregada e é beneficiária de auxílio-acidente. No ano de 2015, ao atingir a idade mínima para a aposentadoria, ela requereu o benefício ao INSS e, em razão do indeferimento, ajuizou, nesse mesmo ano, ação previdenciária. Na instrução processual, ficou comprovado que alguns períodos de contribuição constantes no sistema do INSS eram falsos, tendo sido dolosamente inseridos no sistema, de forma indevida, para que Luzia obtivesse a vantagem de majoração do tempo de contribuição. Tendo como referência essa situação hipotética, julgue os itens a seguir.

105. Caso a aposentadoria de Luzia seja futuramente deferida, será possível a acumulação desse benefício com o auxílio-acidente.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 86, §2º, da Lei 8.213/1991 (redação da Lei 9.528/1997) veda expressamente a acumulação do auxílio-acidente com qualquer aposentadoria, devendo o benefício acidentário cessar na data de início da aposentadoria.

106. Se for comprovado o ilícito criminal, Luzia poderá responder pela prática do crime de apropriação indébita previdenciária.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A inserção fraudulenta de períodos de contribuição inexistentes no sistema do INSS para obtenção de vantagem indevida configura estelionato majorado, também chamado de estelionato previdenciário (art. 171, §3º, do CP), e não apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do CP), crime este que pressupõe a retenção, por responsável tributário, de contribuições efetivamente descontadas e não repassadas.

107. O limite de prazo para que Luzia ajuizasse a ação contra o indeferimento administrativo era, de fato, o ano de 2015, já que, por exemplo, se ela tivesse postergado para o ano de 2021, haveria decadência do direito.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

A decadência do art. 103, caput, da Lei 8.213/1991 aplica-se apenas à revisão do ato de concessão de benefício já concedido, e não ao direito de ação para postular benefício indeferido, que não decai (Súmula 64 da TNU), sujeitando-se apenas à prescrição quinquenal das parcelas vencidas. Logo, não haveria decadência caso Luzia ajuizasse a ação somente em 2021.

Com base no texto da CF e nos princípios e nas normas do direito financeiro, julgue os itens a seguir.

108. A possibilidade de a emenda parlamentar impositiva alocar recursos a estados e municípios, por meio da transferência especial constitucional, a qual permite o repasse direto sem convênio, só é cabível no caso de emenda individual, e não de emenda de bancada.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

A transferência especial (art. 166-A da CF, incluído pela EC 105/2019), que permite o repasse direto de recursos a estados e municípios sem convênio, é mecanismo exclusivo das emendas parlamentares individuais impositivas (art. 166-A, I, CF), não se aplicando às emendas de bancada estadual, que se valem da 'transferência com finalidade definida' (art. 166-A, II, CF).

109. É permitida aos estados a vinculação de receitas próprias geradas pela cobrança do IPVA para a prestação de contragarantia à União.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 167, §4º, da CF excepciona a regra da não afetação de receitas de impostos (art. 167, IV) para permitir expressamente a vinculação das receitas próprias dos impostos estaduais — entre eles o IPVA (art. 155, III, CF) — para prestação de garantia ou contragarantia à União.

Considerando os princípios e as normas do direito tributário, julgue os itens que se seguem.

110. Para a instituição de novas taxas, deve-se observar tanto a anterioridade anual quanto a anterioridade nonagesimal.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

As taxas não figuram entre as exceções às anterioridades listadas no art. 150, §1º, da CF, de modo que sua instituição ou majoração se submete simultaneamente à anterioridade de exercício (art. 150, III, 'b') e à noventena (art. 150, III, 'c').

111. De acordo com o Código Tributário Nacional, a legislação tributária restringe-se a leis, tratados e convenções internacionais, sendo os decretos e demais atos normativos expedidos por autoridades administrativas considerados normas complementares.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

O art. 96 do CTN inclui expressamente os decretos, ao lado das leis, tratados/convenções internacionais e normas complementares, no conceito de 'legislação tributária'; os decretos não se confundem com as normas complementares, que, conforme o art. 100, I, do CTN, correspondem aos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (categoria distinta).

112. De acordo com o STF, a imunidade tributária aplicável aos livros, quanto ao imposto de importação, alcança os leitores de livros eletrônicos apenas se estes não possuírem funcionalidades acessórias.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

No RE 330.817 (Tema 593 de repercussão geral), o STF fixou a tese de que a imunidade tributária do art. 150, VI, 'd', da CF alcança o livro eletrônico e os aparelhos leitores de livros eletrônicos (e-readers) AINDA QUE possuam funcionalidades acessórias, e não apenas na ausência delas.

113. O parcelamento e a moratória são hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: C — Certo

O art. 151, I e VI, do CTN arrola expressamente a moratória e o parcelamento entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.

114. No caso de o imposto de renda de pessoa jurídica ser tributado com base no lucro real, a apuração dos seus resultados deve ser trimestral.

  1. Certo
  2. Errado

Gabarito: E — Errado

Embora a regra geral do art. 1º da Lei 9.430/1996 seja a apuração trimestral do lucro real, a própria lei faculta à pessoa jurídica optar pela apuração anual do lucro real, mediante recolhimentos mensais por estimativa (art. 2º da Lei 9.430/1996), de modo que a apuração trimestral não é obrigatória em toda hipótese de tributação pelo lucro real.

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