O que é o 1º dia do ENEM 2024
O primeiro dia do ENEM 2024 reúne duas áreas do conhecimento: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. Cada caderno traz 90 questões de múltipla escolha, com alternativas de A a E.
Uma particularidade: as questões 1 a 5 são de língua estrangeira, e o candidato escolhe entre inglês e espanhol. As demais questões são iguais para todos.
Depois da língua estrangeira, as questões de Linguagens e de Ciências Humanas aparecem no mesmo caderno. Na prática, você vai alternar entre um poema, um mapa, um trecho de filósofo, uma pintura e uma reportagem. Por isso, estude a habilidade de leitura tanto quanto o conteúdo.
Como a prova é corrigida
Cada questão tem cinco alternativas e uma única resposta correta. A correção segue o gabarito oficial do INEP. Isso tem uma consequência prática: a resposta certa é a que o texto e o enunciado sustentam, não a que você acha mais razoável ou mais bonita.
Quando for conferir seus simulados, compare sempre com o gabarito oficial e leia a justificativa de cada erro. Descobrir por que a alternativa certa é certa vale mais do que contar acertos.
O que é perguntado: Linguagens
Língua estrangeira (questões 1 a 5)
As questões de inglês e de espanhol quase nunca pedem tradução palavra por palavra. Pedem o propósito do texto e a ideia central. Alguns exemplos do tipo de pergunta:
- Relação entre duas citações. Em uma questão com frases atribuídas a Einstein e a Bob Marley, a resposta é que ambas defendem tirar proveito de situações adversas. Einstein diz que “no meio da dificuldade está a oportunidade”, e a imagem de sentir a chuva em vez de apenas se molhar reforça a mesma ideia.
- Valor de um marcador. Numa letra de canção sobre ódio e intolerância, “instead of” introduz uma mudança de comportamento: troca-se o ódio pelo amor. Marcadores como esse indicam substituição, contraste ou concessão. Aprenda a função deles, não só o significado.
- Metáfora visual. Uma barra de progresso de exclusão (“70% Deleted”, “World removed”) ao lado de ícones de natureza representa o rápido desaparecimento da natureza.
- Finalidade de um gênero. Numa carta de editora a uma escritora, a leitura atenta mostra que o objetivo é comunicar a recusa da publicação.
- Espanhol. Aparecem a crítica à cultura do cancelamento (o texto define o fenômeno e depois critica seus efeitos, sobretudo a vida representada apenas nas telas), o contraste cultural entre galegos e andaluzes diante da chuva, a poesia em mixteco como representação da pluralidade linguística do México e a expressão “morir muy vivos”, que defende desfrutar de todas as fases da vida.
Variedades linguísticas
Este é um dos temas mais fecundos do dia. A regra central: toda variedade é constitutiva do português brasileiro. Uma vivência que mostra expressões regionais do Maranhão, por exemplo, evidencia que as variedades fazem parte da diversidade da língua, e não que “impedem o entendimento”.
Para identificar qual variedade um texto mostra, procure a pista certa:
| Variedade | Pista no texto |
|---|---|
| Regional | Marcas do falar de um lugar (expressões típicas de uma região) |
| Situacional | O contexto de fala exige maior ou menor formalidade |
| Sociocultural | Relacionada ao grupo social e à escolaridade do falante |
| Geracional | Termos próprios de uma faixa etária |
| Ocupacional | Vocabulário técnico de uma profissão |
Um caso ilustrativo: as falas do filólogo Evanildo Bechara, com termos como “lexicologia” e a distinção entre leitura científica e literária, representam a variedade ocupacional, porque o tom técnico vem da profissão dele.
Outras ideias recorrentes nesse tema:
- O chamado “falar errado” de Adoniran Barbosa (“nóis vai”, “nóis fumo”) era um uso que transgredia a norma-padrão, e por isso sofria preconceito, embora fosse uma escolha artística.
- Uma língua como a da Tabatinga se preserva quando o sentimento de identidade linguística se consolida e os falantes a transmitem a outras gerações.
- Iniciativas como o livro Amazonês e as camisetas do Caboquês Ilustrado valorizam o repertório linguístico de um povo.
Funções da linguagem e recursos do texto
- Função referencial: informar com dados objetivos. Um texto sobre pobreza menstrual que traz dados de evasão escolar e falta de absorventes cumpre o propósito de informar o leitor.
- Reiteração: repetição de uma palavra e de seus cognatos. Uma crônica construída em torno de “coisa”, “coisinha”, “coisar” usa esse recurso para manter a unidade temática.
- Pronominalização, conexão, intertextualidade, metalinguagem: são recursos diferentes. Verifique qual deles o enunciado descreve e qual o texto realmente usa.
- Argumentação: numa resenha que elogia a obra mas faz ressalvas, o recurso são as expressões adversativas (“mas”). Um dado estatístico no fim de um texto serve como prova da tese. Citar versos e títulos de canções para defender a importância da música é intertextualidade.
- Empatia: é reconhecer a dificuldade do outro (“Sinto que é mais complicado ser jovem hoje”). Demonstrar afeto, como “queria dar beijinhos”, é outra coisa.
Literatura e artes
- Impressionismo: pinceladas soltas e efeitos fugazes de luz e movimento, como na pintura de Eliseu Visconti.
- Romantismo: num fragmento de romance, Aurélia revela ter comprado o marido com sua fortuna. A interferência da riqueza sobre o amor é o tema.
- Foco narrativo: quem apresenta uma releitura de Machado de Assis conta sua relação pessoal com o romance e termina anunciando que dará voz a Capitu.
- Poema ou outro gênero? Um texto com forma de carta e de receita é poema por causa da linguagem expressiva, figurada e rimada.
- Metalinguagem: em “Minha palavra vale um tiro, eu tenho muita munição”, dos Racionais MCs, a palavra é tratada como arma de combate.
- Papel da arte: Graciliano Ramos, ao criticar a arte que embeleza a miséria, e Antônio Prata, ao defender a arte que abala certezas, se aproximam no caráter desestabilizador da arte.
- Acaso: a foto notável de uma câmera pinhole esquecida num telescópio mostra que a produção artística pode resultar do acaso.
O que é perguntado: Ciências Humanas
História
- Cultura popular e elite: a valsa foi rejeitada no início da Idade Moderna por trazer elementos de segmentos populares (origem campesina e folclórica).
- Pontos de vista: Las Casas aparece como o mais odiado pelos senhores e conquistadores e o mais amado pelos povos oprimidos.
- Hierarquia: sanitaristas que comparam a organização sanitária a um exército, com oficiais e auxiliares, transmitem uma hierarquização profissional.
- República: a modernização técnica do fim do século XIX (luz elétrica, telégrafo, telefone, cinematógrafo) se vincula à visão republicana de nação.
- Abolicionismo: Chiquinha Gonzaga e Castro Alves ilustram a participação de artistas na defesa do fim da escravidão.
- Pós-abolição: a personagem Sancha, sem descanso e sem pagamento, retrata a exploração do trabalho negro mesmo depois da abolição.
- Iluminismo: salões e cafés permitiram a circulação de ideias entre diferentes bases sociais.
- Direitos: o pensamento de Wollstonecraft, as Madres de Plaza de Mayo (violação de direitos humanos), a Constituição de 1988 e os territórios quilombolas (políticas de inserção social).
- Cultura e patrimônio: festas populares são reconhecidas como patrimônio imaterial por registro, não por tombamento físico. Capas da revista Travel in Brazil (DIP, 1941–1944) reforçam estereótipos da cultura nacional.
Geografia
- Terremotos: as diferenças entre Chile, Amazonas e São Paulo decorrem da posição em relação a zonas de subducção.
- Inundações: a velocidade e a duração dependem da declividade do relevo. Relevo íngreme gera inundação brusca; relevo plano, inundação gradual.
- Clima: menos árvores significa menos água liberada para a atmosfera e menor intensidade de chuvas convectivas. Parques públicos são exemplo de solução baseada na natureza nas cidades.
- Espaço geográfico: imagens de satélite de Dubai (2000 e 2020) indicam artificialização do espaço. Vias e sistemas de transporte servem para dinamizar os fluxos.
- Poder: a cartografia serviu historicamente à sustentação de hegemonias territoriais. No Conselho de Segurança, a existência de membros permanentes com poder de veto revela assimetria política.
- Meio ambiente e sociedade: as reservas extrativistas nasceram de decisões locais. O compromisso do Brasil na COP-26 resultou da pressão de organismos supranacionais e da sociedade civil. Superar a fronteira entre inclusão e exclusão para refugiados exige integração socioeconômica.
Filosofia e Sociologia
- Dualismo: separar alma e corpo como instâncias distintas é pensamento dicotômico.
- Ética: a Regra de Ouro (“trate os outros como gostaria de ser tratado”) corresponde ao imperativo categórico kantiano. Em Aristóteles, a eudaimonia é atividade da alma conforme a virtude, ou seja, aperfeiçoamento das condutas.
- Raciocínio indutivo: o peru de Bertrand Russell generaliza uma lei universal a partir de observações particulares repetidas.
- Epistemologia: Quine critica os dogmas do empirismo defendidos por Carnap, um debate sobre o estatuto epistemológico da linguagem. A injustiça epistêmica ocorre quando o preconceito de identidade reduz a credibilidade de quem fala.
- Teoria social: a indústria cultural funciona como mecanismo de controle social. O capitalismo gera alienação na organização do trabalho. O rizoma, sistema sem centro e não hierárquico, relaciona-se à pluralidade de interações da cultura contemporânea. A globalização pluralizou identidades e fortaleceu pautas das minorias.
- Cidadania: espaços públicos são essenciais para a construção da democracia. O movimento Black Lives Matter reivindica a inclusão da diversidade do grupo identitário.
Saúde, esporte e tecnologia
Também entram textos sobre saúde ampliada, em que a atividade física se relaciona a determinantes socioeconômicos como renda e ambiente. Há textos sobre câncer de mama masculino (a lista de sintomas funciona como sinais indicadores), telemedicina (acesso de pacientes em áreas remotas ou periféricas), esporte (a mudança no programa olímpico mostra adaptação às demandas do tempo), podcasts (divulgação de conhecimento), memes (crítica à informação manipulada) e aplicativos de línguas indígenas (democratização do registro escrito).
Armadilhas comuns
1. Confundir causa e consequência. Num texto sobre lutas na escola, a razão da diferença é que os estudantes veem a luta como expressão corporal masculina. A exclusão do conteúdo pela Educação Física aparece apenas como possível consequência. 2. Escolher a variedade pelo cargo ou pela origem. Bechara é filólogo, e o que o texto mostra é vocabulário técnico, então a variedade é ocupacional. Não é regional só porque a pessoa nasceu em algum lugar. 3. Trocar conceitos próximos. Empatia não é afeto. Registro de bem imaterial não é tombamento. Hierarquização profissional não é imposição eugênica. 4. Alternativas que repetem palavras do texto, mas mudam o sentido. Confira se a ideia inteira da alternativa é sustentada, não apenas uma palavra dela. 5. Extrapolar. Um texto que associa a adoção a representações sociais estigmatizadas não opõe termo técnico e vínculo afetivo. Não atribua ao texto o que ele não diz. 6. Ler só o texto e esquecer o enunciado. Perguntas como “o que sustenta o poder”, “qual o propósito” e “por que foi rejeitada” pedem coisas diferentes sobre o mesmo texto. 7. Ignorar o apoio não verbal. Cartazes, gráficos, mapas e imagens de satélite são lidos com o texto. No cartaz da campanha do agasalho, “Vou deixar que você se vá” só faz sentido com a imagem: é um trocadilho entre doar a roupa e o desapego.
Como estudar
1. Treine a leitura com o enunciado primeiro. Leia a pergunta, depois o texto, procurando a resposta. Em seguida, elimine as alternativas que o texto não sustenta.
2. Monte um caderno de distinções. Reúna pares que costumam ser confundidos: variedades linguísticas, funções da linguagem, recursos de coesão, escolas artísticas, tipos de raciocínio. Para cada um, anote uma pista de identificação e um exemplo.
3. Estude cada tema com um exemplo concreto. Subducção, declividade, evapotranspiração e artificialização do espaço ficam fixados quando ligados a um caso (Chile, inundação brusca, Amazônia, Dubai).
4. Faça blocos temáticos. Dedique um período a variedades e funções da linguagem, outro a história social e cultural, outro a geografia física e urbana, outro a filosofia e sociologia. Termine cada bloco com questões.
5. Corrija com método. Para cada erro, escreva: o que o enunciado pedia, em que trecho estava a resposta e por que a alternativa que você marcou estava errada. Isso evita repetir o mesmo tipo de erro.
6. Simule o caderno inteiro. São 90 questões de duas áreas. Treine a resistência e o ritmo, alternando textos longos com questões curtas, e faça pelo menos um simulado completo antes da prova.
7. Escolha a língua estrangeira cedo. Como as questões 1 a 5 são de inglês ou espanhol, decida qual você lê com mais segurança e pratique leitura de textos curtos nela: citações, letras de canção, cartas e artigos de opinião.
Pratique
Depois de estudar, teste o que aprendeu com questões no formato do exame: resolva as questões do ENEM 2024 em /learn/enem-2024 e compare cada resposta com o gabarito oficial.